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A poética das pequenas -e das grandes- coisas

nov. 27, 2017

Marina Colasanti, 80 anos, acaba de lançar seu 60º livro, de poemas. A grandeza da obra de Marina se reflete no olhar arguto para o que é considerado “pequeno”. Tudo tem princípio e fim é um delicioso compilado de poemas sobre a vida, o passar do tempo, os ciclos, as pequenas -grandes- coisas que, caso encontrem um olhar atento, preenchem de beleza e eternizam os momentos.

Esse Tudo tem princípio e fim é convite irrecusável. Pela delicadeza e pela profundidade. Pelas rimas e pelo ritmo. Que se refletem na escolha dos temas de cada poema e também no todo: embora cada poema seja independente, Tudo tem princípio e fim é mais que um compilado de poesia, parece uma narrativa intertecida delicadamente por mãos e olhares hábeis.

(“Tudo tem princípio e fim” / Texto e ilustrações: Marina Colasanti

Assim, a chuva que vai para o bueiro ou a maçã que cai de madura ou a flor que não deixa nem cheiro são pontos de partida para Marina refletir, com seus leitores, que “o percurso é que interessa”. A obra, metaforicamente, também é um percurso com princípio e fim.

Neste livro, a premiada autora, sete vezes ganhadora do Jabuti, nos lembra em todas as páginas que o grande está contido no pequeno e que a beleza, a estética, a linguagem bem trabalhada podem propor reflexões tão ou mais sofisticadas que qualquer tratado filosófico.

Aproximando poeticamente a busca por um sentido do cotidiano, da vida, do corriqueiro -e fazendo isso com uma linguagem ao mesmo tempo estética e simples, sem infantilizar o jovem  leitor-, Marina propõe uma poética das pequenas-grandes coisas, uma poética do dia a dia.

Flores, crocodilos no Nilo, o gato que persegue o rato e é perseguido pelo cachorro… Nada escapa ao seu olhar atento, à sua sensibilidade generosa, às suas palavras e à sua maneira poética de expressar-se sobre aquilo que, muitas vezes, nos escapa.

(“Tudo tem princípio e fim” / Texto e ilustrações: Marina Colasanti)

Nisso, guarda muita semelhança com o modo como crianças e jovens se colocam diante do mundo. Os jovens (para quem o  livro se destina em princípio, mas só em princípio, uma vez que boa literatura não tem endereço certo e emociona leitores de todas as idades), diz Marina, não só leem poesia, mas são grandes fazedores de poemas. A infância e a juventude são, em si mesmas, poéticas das pequenas-grandes coisas da vida.

(Leia aqui entrevista exclusiva de Marina Colasanti para o Blogue da Brinque-Book, em que ela trata desses e de outros temas).

Se o grande está contido no pequeno e vice-versa, como nos lembra Marina, deixar que a beleza das rimas e das singelezas da vida aprofundem a busca por um sentido é sempre uma boa pedida.